O PAPEL DA EMOSE NO MERCADO SEGURADOR MOÇAMBICANO
Por: Armando Blaitone
A actividade seguradora tem a função central em qualquer país, de contribuir para a estabilização das actividades económicas e da vida social. Ao assumir riscos, proporciona aos agentes económicos uma protecção e segurança para gerir e ocuparem-se de outros empreendimentos que, de contrário, seria difícil.
Logo após a sua criação em 1977, a EMOSE confrontou-se com inúmeras dificuldades nas suas operações, decorrentes da falta de quadros qualificados, pois os poucos estrangeiros ao serviço das seguradoras já tinham começado a sair massivamente.
Um dos constrangimentos que a Empresa enfrentou foi a coabitação na mesma instituição de diversas culturas de servir o cliente, diferentes formas de abordar o mercado, decorrentes da integração dos funcionários das empresas então intervencionadas pelo Estado.
O “handcap” acima (abordagem díspar do serviço ao cliente) era, na altura, compensada pela exploração exclusiva do mercado, pois a Empresa foi criada com a prerrogativa de exercer, em regime de monopólio, de toda a actividade seguradora, resseguradora e afins.
A condição monopolista da EMOSE terá contribuído para um certo descurar da agressividade comercial, da excelência na prestação de serviços ao cliente, o que poderá ter trazido alguns problemas de adaptação logo após a liberalização do mercado, em 1991, entretanto gradualmente superados.
EMOSE E O MERCADO SEGURADOR
São oficialmente conhecidas e a operarem em Moçambique, cinco companhias seguradoras, todas elas membros da AMS – Associação Moçambicana das Seguradoras.
A questão de quem é quem e o que faz no mercado segurador tem sido objecto de alguns atiçado ânimos entre os respectivos operadores. Cada um, e quase todos, reivindicam protagonismo em termos de serviços prestados e fatia abocanhada.
Não é fácil estabelecer critérios rígidos que respondam à questão acima colocada. Em palavras simples, questionar-se-ia, que elementos usar para definir o que é “maior empresa” ou “grande empresa”: Os “prémios processados?”, o “volume de vendas?” os “riscos subscritos?”, a “taxa de retenção?“, a “massa do capital social?”, o “número de empregados?”, o “volume de reservas?”, os “lucros obtidos?”, a “presença geográfica?”, etc., etc.?
Para o caso da EMOSE, a sua prestação no mercado pode ser aferida usando uma multiplicidade de variáveis, todas elas convergentes. Por exemplo, do ponto de vista de subscrição, os dados disponíveis apontam que esta seguradora é a maior subscritora de riscos. Quanto à presença geográfica, a EMOSE também é a única que se encontra presente em todo o País, com balcões até em alguns distritos;
Ciente da sua responsabilidade histórica e função social, a EMOSE está presente em locais onde meros critérios de rendibilidade económico-financeira não justificariam. O mesmo se coloca em relação à subscrição de riscos. A Empresa tem, no seu “portfolio” riscos de actividades económicas que nenhuma outra seguradora aceita, embora sejam de grande alcance social, como são os riscos dos transportes semi-colectivos, vulgo “chapas”, sem falar de outros seguros do pacato cidadão;
Pode dissecar-se cada um dos factores acima arrolados, e, invariavelmente, chegar-se à mesma conclusão: a EMOSE é o maior operador do mercado segurador moçambicano, gozando da indiscutível preferência do público, o que traz responsabilidades acrescidas para esta Empresa histórica e genuinamente moçambicana.
