OS rivais políticos malgaxes estão desde ontem reunidos em Maputo, sob mediação do antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano, para tentar desbloquear o impasse que se regista na composição do governo de unidade nacional.
Entretanto, o encontro não conta com a presença de Andry Rajoelina, uma das “peças-chave” desta crise, que conforme disse, numa conferência de Imprensa em Antananarivo, não se deslocaria a Maputo porque o encontro com Marc Ravalomanana, Didier Ratsiraka e Albert Zafy, no estrangeiro seria um desperdício de dinheiro, razão pela qual propunha a realização das negociações através de uma vídeo-conferência.
Contudo, os restantes três signatários dos acordos de Maputo aceitaram o convite para se deslocarem a Maputo, onde ontem iniciaram os debates com a equipa de mediação.
Durante a manhã de ontem, os intervenientes estiveram reunidos em separado para consultas, tendo sido reservado o período da tarde para um encontro em plenário.
A formação de um governo de inclusão regista um impasse em Madagáscar devido a divergências na distribuição dos 11 ministérios, entre os quis se destaca o pelouro da Justiça. Os pelouros da Educação, Comunicações e das Minas também são fontes de conflitos.
No início de Novembro último, Andry Rajoelina, Marc Ravalomanana, Didier Ratsiraka e Albert Zafy assinaram, na Etiópia, um acordo de partilha do poder, tendo igualmente em vista a restauração da ordem constitucional em Madagáscar.
O convite para a realização de uma reunião de dois dias (ontem e hoje) em Maputo foi formulado pelo chefe da equipa de mediação, o ex-presidente moçambicano, Joaquim Chissano.
A crise política instalou-se em Madagáscar quando Rajoelina, antigo Disc Jockey (DJ) decidiu tomar o poder, através de um golpe de Estado com a ajuda de uma facção do exército, em Março deste ano. Como consequência disso, este país insular foi suspenso da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana (UA) até á restauração da ordem constitucional, o que ainda não aconteceu.
Alguns países ocidentais juntaram-se à UA, suspendendo a assistência económica a Madagáscar.
Fonte: Jornal Notícias, 5 de Dezembro de 2009