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Camará ainda não pode falar - Guiné-Conakry

O CHEFE da Junta Militar da Guiné-Conakry, Moussa Dadis Camará, operado em Marrocos após ter sido ferido na cabeça por um tiro disparado pelo seu ajudante de campo, na quinta-feira, está lúcido mas encontra-se ainda impossibilitado de se comunicar, declarou ontem o ministro guineense dos Negócios Estrangeiros questionado pela Rádio França Internacional (RFI) em Rabat.

"Vi o presidente Dadis e ele está lúcido", assegurou o ministro Alexandre Cécé Loua, numa entrevista telefónica difundida ontem pela Rádio França Internacional.

Questionado se "Dadis Camará está em condições de manter uma conversa?", o ministro respondeu: "De momento não. A conselho dos médicos, não pode ainda se comunicar".

Antes, Cécé Loua havia declarado que "o presidente Dadis sofreu uma intervenção cirúrgica de traumatismo craniano e os resultados da operação são muito favoráveis, e que o seu estado “não inspira inquietação".

O ministro não evocou qualquer data para um eventual regresso ao país (Guiné-Conakry) do chefe da junta militar: "(...) o seu estado evolui de forma segura, o que me leva a dizer que poderá se dirigir à nação, mas não posso dizer quando. O que sei é que a sua vida está fora de perigo", insistiu.

No sábado, o fórum das forças vivas do país declarou-se "profundamente preocupado" com a situação prevalecente na Guiné-Conakry, depois da tentativa de assassinato do capitão Camará, presidente do Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento (CNDD) no poder desde Dezembro de 2008.

Num comunicado transmitido à PANA, o fórum condena "a violência perpetuada, considerando que a insegurança atrasa o processo iniciado para uma nova transição".

O fórum das forças vivas insiste na necessidade de se elucidar os massacres de 28 de Setembro de 2009, reafirmando o seu apoio à Comissão de Inquérito Internacional das Nações Unidas da qual espera as conclusões com muito interesse.

Militares a bordo de veículos com metralhadoras estavam fim-de-semana, a patrulhar Conakry, onde a circulação continua reduzida devido ao pânico no seio das populações desde a tentativa de assassinato do chefe da Junta.

Várias pessoas contactadas pela PANA nas ruas de Conakry explicaram o regresso das populações às suas casas pela presença massiva de militares fortemente armados, que patrulham os cantos e recantos à procura dos soldados que tentaram assassinar o chefe da Junta no Batalhão Autónomo da Segurança Presidencial (BASP).

O Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento (CNDD), prometeu sábado "uma forte recompensa" a qualquer pessoa susceptível de fornecer informações sobre Aboubacar "Toumba" Diakité, ajudante de campo e chefe da guarda do chefe da Junta, que disparou contra o capitão Dadis Camará depois duma discussão.

O tenente Aboubacar "Toumba" Diakité continuava a ser procurado no fim-de-semana depois de ferir a tiro quinta-feira o seu chefe.

Segundo informações não confirmadas por fontes oficiais, vários dos seus homens teriam sido presos

Fonte: Jornal Notícias, 8 de Dezembro de 2009

Líder da Junta ferido a tiro em Conakry