Fogo de artifício causa tragédia a 1400 km de Moscovo
As agências noticiosas internacionais falam num cenário de terror. O Presidente russo menciona a palavra "crime". O primeiro-ministro, Vladimir Putin, vai ainda mais longe, aludindo a uma "catástrofe monstruosa". Foi assim, neste tom de estupefacção, que a Rússia acordou ontem para a tragédia ocorrida a 1400 quilómetros de Moscovo, num clube nocturno da cidade de Perm, na zona dos Urais, onde mais de cem pessoas morreram devido a negligência grosseira quando material pirotécnico transformou o estabelecimento num braseiro e os clientes em tochas vivas. Segundo a última contabilização de vítimas, registaram-se 109 mortos e mais de 80 feridos. Na morgue de Perm, apenas 51 cadáveres tinham sido identificados.
Tudo começou com um vulgar festa de aniversário na noite de sexta-feira. O clube nocturno, intitulado Cavalo Manco, abriu as portas a clientes habituais e dezenas de convidados que se associaram à celebração da festa dos oito anos do estabelecimento. O fogo de artifício, alusivo à efeméride, não tardou a estalar. Era o início da tragédia: um dos foguetes tocou num tecto de plástico, provocando de imediato o alastrar das chamas. O fogo alastrou com rapidez, segundo investigações preliminares, pelo facto de o tecto e as paredes estarem forrados de material altamente inflamável, contrariando as mais elementares normas de segurança. "As pessoas entraram em pânico e morreram queimadas, esmagadas ou intoxicadas", revelou o responsável local pelos serviços de emergência, Igor Orlov.
O Presidente Medvedev decretou amanhã como dia de luto nacional na Rússia e criticou sem reticências a a atitude negligente dos que propiciam tragédias deste género. "Quem organiza estes fogos de artifício não tem nem cérebro nem escrúpulos e manifesta uma indiferença total a quanto se passa em seu redor", denunciou o Chefe do Estado após uma reunião com o ministro russo responsável pelas situações de emergência, Serguei Choigu. Por sua vez, Putin apresentou condolências aos familiares das vítimas, garantindo que os culpados serão punidos. Ao princípio da noite de ontem, a directora do Cavalo Manco e pelo menos um dos proprietários do estabelecimento já tinham sido detidos às ordens da procuradoria-geral russa. Segundo Choigu, o estabelecimento em causa já fora alertado duas vezes para a violação das normas de segurança.
Os especialistas do Serviço Federal de Segurança da Rússia, citados pelas agências noticiosas, já afastaram a hipótese de se ter tratado de um atentado terrorista.
Fonte: DN Globo, 07 de Dezembro
