Obama instalado na Casa Branca
Barack Hessein Obama tornou-se a 20 de Janeiro de 2009, o 44º. Presidente dos EUA, após jurar sobre a Bíblia, a mesma Bíblia usada por Abraham Lincoln na tomada de posse, em 1861. Aos 47 anos, o democrata é o primeiro negro a assumir a liderança dos EUA, num momento em que o país atravessa uma grave crise económica e continua envolvido em duas guerras.
“EU, Barack Hussein Obama, juro solenemente que cumprirei fielmente as funções de Presidente dos Estados Unidos e farei o melhor que estiver ao meu alcance para preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos”. Foi assim que Barack Obama prestou o seu juramento diante do Presidente do Tribunal Supremo dos EUA, John Roberts.
Além dos convidados, cerca de dois milhões de pessoas assistiram à cerimónia em Washington concentradas no Mall, um grande parque de três quilómetros que se estende aos pés do Capitólio norte-americano.
Obama, um dos mais novos presidentes dos EUA, chega à Casa Branca com um forte apoio popular e uma projecção internacional sem precedentes, depois de uma campanha eleitoral mobilizadora, assente na palavra “mudança” e na reconquista do “sonho americano”. Mas pela frente, terá aquela que é já considerada a maior crise económica internacional desde a Grande Depressão, traduzida já numa economia em recessão e com uma elevada taxa de desemprego e na situação de pré-falência de grandes grupos económicos.
A guerra do Iraque, que o democrata se comprometeu a terminar no prazo de 16 meses, será outra dor de cabeça, já que a prometida retirada militar só será possível com uma passagem de testemunho sem mácula para as novas autoridades iraquianas.
Obama comprometeu-se também a vencer a guerra no Afeganistão, enviando mais reforços para combater os rebeldes taliban e os seus aliados da Al-Qaeda.
Na véspera da tomada de posse, Obama voltou a lançar um apelo à unidade do povo norte-americano, superando as diferenças raciais e económicas, as divergências ideológicas e religiosas.
No seu discurso após o juramento como Presidente dos Estados Unidos, Obama apelou aos valores fundamentais do seu país começar um novo capítulo na sua história.
"A nossa economia está enfraquecida, como consequência da avidez e da irresponsabilidade por parte de alguns, mas também pelo fracasso colectivo em tomar as decisões difíceis e preparar a nação para uma nova era", disse Obama.
Perante esses erros, Obama instou os norte-americanos a retomar o que fez dos Estados Unidos a nação que é: o trabalho duro, a honestidade, a coragem, a justiça, a tolerância e o patriotismo.
"O que nos é pedido agora é uma nova era de responsabilidade, o reconhecimento, por parte de cada norte-americano de que temos obrigações face a nós próprios, à nossa nação e ao mundo", disse.
No plano internacional, o novo presidente quis assinalar uma mudança em relação à administração anterior, apesar de ter agradecido seu antecessor pelo "seu serviço" aos Estados Unidos. "A todos os povos e governos que nos vêem hoje, desde as maiores capitais à pequena localidade onde nasceu o meu pai: saibam que os Estados Unidos são um amigo de cada nação e de cada homem, mulher e criança que procura um futuro de paz e dignidade e que estamos prontos para liderar uma vez mais", afirmou.
Recordou que os Estados Unidos derrotaram o fascismo e o comunismo "com alianças sólidas e convicções fortes". "O nosso poder só não nos pode proteger, nem nos dá direito a fazer o que nos apetece", disse.
Obama assinalou que os desafios actuais requerem que os Estados Unidos façam um esforço maior para promover a cooperação e o entendimento entre as nações, perante a ameaça nuclear e o aquecimento global.
O presidente norte-americano ofereceu "um novo caminho em direcção ao futuro" ao mundo muçulmano. "Aos líderes que procuram semear o conflito ou responsabilizam o Ocidente pelos problemas nas suas sociedades - saibam que o vosso povo vos julgará pelo que conseguirem construir e não pelo que destroem. Aos que se agarram ao poder através da corrupção e do engano e silenciando a dissensão, saibam que estão do lado errado da história, mas que estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o punho", declarou.
Alguns extractos extraidos do Jornal Notícias de 21 de Janeiro de 2009
