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Num só dia em Chókwè e Boane : Vinte e um mortos em acidentes de viação

A PEQUENA localidade de Lionde, no distrito de Chókwè, em Gaza, viveu no passado sábado (5 de Dezembro) momentos de dor e luto colectivos, devido à brutal e trágica morte de 15 pessoas, e o ferimento grave de outras, em consequência de um despiste, seguido de capotamento, de uma viatura de transporte semicolectivo de passageiros, ocorrência registada pouco depois das 12 horas na Estrada Nacional Número 205, a escassos 800 metros do destino dos viajantes.

Informações disponíveis indicam que das vítimas mortais que seguiam no “mini-bus”, 13 eram membros duma mesma família e dirigiam-se a uma cerimónia de casamento, sendo que a maior parte era residente no bairro da Polana-Caniço, em Maputo, donde haviam partido na manhã do mesmo dia. Para além de outras causas associadas, pensa-se que tudo terá partido das dificuldades evidenciadas pelo motorista em descrever uma curva apertada, acabando por colidir contra um obstáculo fixo.

Ainda no sábado, um outro violento acidente envolvendo um camião e uma carrinha, ocorrido em Boane, província do Maputo, provocou a morte de seis pessoas, quatro das quais ficaram carbonizadas, momentos depois da colisão das viaturas envolvidas no sinistro, em consequência do fogo que tomou conta dos dois veículos, reduzindo por completo a chance de uma possível salvação dos feridos. Os mortos de Boane eram todos ocupantes da carrinha que circulava no sentido Moçambique-África do Sul. Num ápice e no mesmo dia dois aparatosos desastres ceifaram a vida de 21 pessoas.

Em relação ao desastre de Chókwè, dados preliminares avançados pela Polícia local indicam que estaria na origem do acidente a condução a velocidade excessiva e em estado de embriaguez, para além do fraco domínio do percurso por parte do automobilista.

Com a lotação oficial de 15 lugares, que se duvida tenha sido respeitada, a viatura, uma “Toyota-Hiace” de cor branca, com a matrícula AAB-646 CM, ficou completamente destruída, com os corpos das vítimas presos e/ou esmagados entre ferros distorcidos, facto que dificultou, em certa medida, as operações de resgate, que duraram um longo período.

“Foi simplesmente horrível o que se viu, gente esmagada, membros espalhados por todos os cantos e dificuldades acrescidas da nossa parte para fazer face à situação devido à escassez de meios. Repare que até as luvas para removermos os corpos tivemos que ir procurá-las numa das unidades hospitalares mais próximas. Fomos pedir ainda ajuda a pessoas de boa vontade para retirarmos os corpos das vítimas. Uma desgraça total,” disse, visivelmente chocado, Benjamim Chatuca, Comandante Distrital da Polícia da República no Chókwè.

Das 15 vítimas, há a destacar a morte de 10 mulheres e cinco homens, incluindo o motorista. Outras informações dão conta da morte de dois casais que faziam parte da excursão.

Todos os corpos foram já transladados para a morgue do Hospital Central do Maputo, tendo prosseguido durante o dia de ontem a sua identificação e reconhecimento por parte dos familiares na capital do país, donde haviam partido na manhã do fatídico sábado.

Alguns extractos do Jornal Notícias, 7 de Dezembro de 2009