Era de responsabilidade
BARACK Obama já pôs mãos à obra para virar a página da guerra contra o terrorismo da era Bush. O novo presidente norte-americano suspendeu ontem os julgamentos na prisão de Guantánamo em Cuba, por um período de 120 dias. A decisão foi já aceite pelos tribunais militares da base, num momento em que se encontravam em julgamento cinco suspeitos da autoria dos atentados de 11 de Setembro de 2001, nos EUA.
"A nossa economia está enfraquecida, como consequência da avidez e da irresponsabilidade por parte de alguns, mas também pelo fracasso colectivo em tomar as decisões difíceis e preparar a nação para uma nova era", disse Obama.
Perante esses erros, Obama instou os norte-americanos a retomar o que fez dos Estados Unidos a nação que é: o trabalho duro, a honestidade, a coragem, a justiça, a tolerância e o patriotismo.
"O que nos é pedido agora é uma nova era de responsabilidade, o reconhecimento, por parte de cada norte-americano de que temos obrigações face a nós próprios, à nossa nação e ao mundo", disse.
No plano internacional, o novo presidente quis assinalar uma mudança em relação à administração anterior, apesar de ter agradecido seu antecessor pelo "seu serviço" aos Estados Unidos. "A todos os povos e governos que nos vêem hoje, desde as maiores capitais à pequena localidade onde nasceu o meu pai: saibam que os Estados Unidos são um amigo de cada nação e de cada homem, mulher e criança que procura um futuro de paz e dignidade e que estamos prontos para liderar uma vez mais", afirmou.
Recordou que os Estados Unidos derrotaram o fascismo e o comunismo "com alianças sólidas e convicções fortes". "O nosso poder só não nos pode proteger, nem nos dá direito a fazer o que nos apetece", disse.
Obama assinalou que os desafios actuais requerem que os Estados Unidos façam um esforço maior para promover a cooperação e o entendimento entre as nações, perante a ameaça nuclear e o aquecimento global.
O presidente norte-americano ofereceu "um novo caminho em direcção ao futuro" ao mundo muçulmano. "Aos líderes que procuram semear o conflito ou responsabilizam o Ocidente pelos problemas nas suas sociedades - saibam que o vosso povo vos julgará pelo que conseguirem construir e não pelo que destroem. Aos que se agarram ao poder através da corrupção e do engano e silenciando a dissensão, saibam que estão do lado errado da história, mas que estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o punho", declarou
Fonte: Jornal Notícias de 21 de Janeiro de 2009
