Líder da Junta ferido a tiro em Conakry
O CHEFE da Junta Militar no poder na Guiné-Conakry, o capitão Moussa Dadis Camará, foi ferido a tiro durante um ataque contra o seu cortejo, quinta-feira à tarde na base militar de Koundara em Conakry, mas a sua vida está "fora de perigo", noticiou ontem a agência PANA, citando fontes de segurança na capital guineense.
Segundo as mesmas fontes, os tiros teriam sido disparados contra o cortejo do chefe da Junta pelo seu ajudante de campo, Abubakar "Toumba" Diakité, cujo nome foi apontado à comissão de inquérito da ONU que investiga o massacre de 28 de Setembro, como o principal mandante das matanças ocorridas no maior estádio de futebol de Conakry.
Várias testemunhas ouvidas pela comissão, que terminou ontem a sua missão, teriam igualmente citado o nome de Abubakar "Toumba" Diakité como líder do massacre na manifestação da oposição para denunciar a candidatura de Camará e dos outros membros da Junta às presidenciais de Janeiro próximo.
Diversas pessoas feridas na quinta-feira, na troca de tiros que se seguiu ao ataque foram admitidas no Hospital Ignace Deen, em Conakry. A Junta militar convocou ontem uma reunião de crise, enquanto o autor do ataque e os seus cúmplices no que algumas fontes qualificam de golpe de Estado falhado, estão a ser activamente procurados.
As agências de notícias reportaram ontem à noite que Dadis Camará foi evacuado de emergência para o Marrocos, para ser internado, “mas que se encontra bem”.
A incerteza paira sobre a sorte do seu guarda-costas, o tenente Aboubacar Sidiki Diakité, mais conhecido por Toumba, acusado de ter atirado no seu chefe. Um ministro admitiu, porém, que ele ainda não foi detido, contrariando as primeiras informações oficiais.
Fonte do governo do Senegal referiu-se a "um ferimento relativamente profundo", e um militar de Burkina-Faso afirmou que o capitão Camará "foi atingido na cabeça por estilhaços de balas". "Como o procedimento é delicado, ele não quis ser operado em Conakry", acrescentou este oficial, frisando que Camará foi levado para Marrocos num avião fretado pelo presidente de Burkina-Faso, Blaise Compaoré, encarregado de uma missão de mediação na Guiné-Conakry.
O Senegal também tinha enviado um avião com equipamentos médicos a Conakry, mas o aparelho acabou retornando sem o chefe da junta guineense.
DIVISÕES NAS FORÇAS ARMADAS
O ministro das Comunicações guineense, Idrissa Cherif, contou que antes de ser atacado, Camará deixou o quartel de Alpha Yaya Diallo, na periferia da cidade, onde vive e trabalha, para um campo militar na baixa de Conacry, quando o tiroteio ocorreu.
O capitão Dadis Camará tomou o poder através de um golpe militar, há 11 meses, mas têm circulado rumores de que existem profundas divisões no seio das forças armadas.
Um alto responsável da polícia garantiu anonimamente à agência France Press que o secretário de Estado, Moussa Tiegboro Camará, mandara "prender homens próximos de Toumba, no âmbito da sua missão de luta contra os traficantes de droga".
"Toumba foi quinta-feira com alguns soldados ao centro da cidade para tentar libertar os seus próximos detidos e «uma discussão» rebentou, depois um tiroteio", contou.
"O capitão Dadis Camará decidiu em seguida ir restaurar a calma. Após as explicações, ele discutiu violentamente com o seu ajudante de campo que disparou contra ele", acrescentou a fonte policial. Por seu lado, um membro da guarda próximo de Toumba contou: "Houve uma discussão entre o presidente e o Toumba por causa do 28 de Setembro, o presidente quis denunciá-lo dizendo que ele é o actor principal [do massacre] e Toumba disparou sobre ele", ferindo-o na cabeça".
O Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento divulgou um comunicado apelando ao povo para manter a calma e garantindo que "a situação está presentemente sob controlo". Depois do tiroteio, todas as lojas fecharam e havia militares por todo o lado e helicópteros sobrevoavam a região da baixa altitude.
Fonte: Jornal notícias, 5 de Dezembro de 2009
