Rebeldes negam qualquer envolvimento no ataque
OS rebeldes islamitas somalis negaram ontem qualquer envolvimento no atentado suicida perpetrado quinta-feira em Mogadíscio, que causou pelo menos 19 mortos, incluindo três ministros do governo somali. “Soubemos desta tragédia pelos 'media'”, declarou o porta-voz oficial do grupo islamita radical dos "al-Shabab", xeque Ali Mohamud Rage.
“Não temos qualquer envolvimento no incidente, os mujaidines al-Shabab nunca cometeram um tal acto”, afirmou Mohamud Rage, que rejeitou a responsabilidade em relação ao “governo apóstata” do presidente somali, xeque Sharif Ahmed.
“(…) Havia fortes rivalidades políticas entre responsáveis do governo apóstata. Esta tragédia é a consequência de intrigas no seio do governo de transição, afirmou o porta-voz oficial dos "al-Shabab". “Dizemos ao povo que o governo apóstata é totalmente responsável por este incidente que matou muçulmanos inocentes”, assegurou.
Também o chefe dos rebeldes do Hezb al-Iskam, xeque Hassan Dahir Aweys, “condenou” o ataque. O atentado “não pode ter sido perpetrado por um somali, é uma operação do inimigo, talvez com a assistência de elementos cúmplices dos estrangeiros que querem ocupar a Somália”, assegurou o xeque Aweys, referindo-se à força de paz da União Africana (AMISOM).
Pelo menos 19 pessoas, na maioria estudantes, bem como três ministros (Educação, Ensino Superior e Saúde) do governo de transição e três jornalistas locais, morreram neste atentado suicida cometido quando decorria uma cerimónia de graduação de estudantes. O ataque, do qual também resultaram 60 feridos, ocorreu de manhã de quarta-feira no hotel Shamo, na pequena parte da capital somali ainda controlada pelo governo.
Apoiado pela comunidade internacional, o governo de transição do xeque Sharif Ahmed, no poder desde Janeiro último, só controla alguns bairros da capital, com o apoio de 5300 soldados da AMISOM.
Os membros do governo de transição são regularmente alvo de atentados perpetrados pelos rebeldes islamitas, que reclamam pertencer à Al-Qaeda e seguir a ideologia da "jihad" (guerra santa) mundial. Várias centenas de voluntários estrangeiros combatem actualmente com os "al-Shabab", contribuindo nomeadamente para a generalização das tácticas já postas em prática no Iraque pela Al-Qaeda.
Entretanto, a União Europeia (UE) condenou ontem o atentado e reiterou o apoio ao governo de transição da Somália. A nova Alta Representante para a Política Externa, Catherine Ashton, disse que está "chocada" com o atentado e assegurou ao governo de transição "a determinação e o empenho da UE no apoio aos seus esforços na luta contra o extremismo e na reconstrução" do país. A UE prevê lançar no primeiro semestre de 2010 uma operação de treino do futuro exército somali, destinada a cerca de 2000 soldados. A União mantém também desde Dezembro de 2008 uma operação anti-pirataria ao largo da Somália, a Eunavfor Atalanta.
Fonte: Jornal Notícias, 5 de Dezembro de 2009
